segunda-feira, 30 de agosto de 2010

autobiografia.

Enquanto um eclipse solar encantava a todos da pequena cidade de Iraquara, na Bahia, no dia três de novembro de 1994, eu nasci. É, mais uma história simples de dois adolescentes que tiveram que virar adultos cedo por uma irresponsabilidade casual.


Não morei na Bahia nem dois meses. Obviamente não me lembro de nada, mas as histórias que contam é que meu pai saiu da Bahia antes de eu ter nascido e veio pra São Paulo preparar a casinha de meus avós maternos para nossa chegada. Foi uma época dificil, vendedor de saco de lixo de porta em porta, pra receber menos de dois porcento em cima de cada um, e depois ainda era assaltado. Com menos de dezoito anos as humilhações eram muitas, mas o desejo do meu pai de me propor um futuro bom o fez crescer durante os anos em todos os empregos que conseguia, mesmo diante das demições e injustiças. Morei em Santo André desdos dois primeiros meses até os onze anos.

Eu adoecia muito facil. Tinha bronquite, sinusite e com minha mãe grávida de oito meses do meu irmão, quando eu tinha acabado de completar quatro anos, peguei minigite. Não lembro de quase nada, só que a sopa de quando eu fiquei internada era muito boa e que quando eles tiraram o liquido da minha espinha doeu MUITO.

Bom, meu irmão nasceu, eu entrei na escola com quatro anos e quando completei cinco já sabia ler muito bem e escrever razoavelmente bem. Continuei na EMEI até minha segunda série, ai fui pra um colégio minusculo particular onde consgui bolsa por que minha tia trabalhava lá.

Meus pais brigavam muito. Era dificil passar pelos aborrecimentos com onze anos. Um dia meu pai estava em casa, noutro não. Sempre arrumei a casa, desde pequena. Acabei me apegando a livros de fantasia como Harry Potter, que li pela primeira vez tinha nove anos, e vivia isolada em casa lendo. Fiz daquela ficção a minha realidade. Não tinha amigos, não podia brincar na rua e na escola era dificil fazer amizades com pessoas metidas a ricas ou que me esnobavam por eu ser tão estudiosa na época. Uma coisa marcante foi no meu aniversário de onze anos, quando passei a madrugada acordada, pensando que o Hagrid ia vim me buscar pra ir pra Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Foi a primeira de muitas decepções.

Logo em seguida, fiz uma amiguinha na rua, Carina. Eu gostava dela e a gente se divertia, embora as diferenças. Não durou muito. Menos de oito meses depois nos mudamos para o Capão Redondo, mais perto dá loja que meus pais trabalhavam. Fui matriculada no colégio adventista. Longe do que eu achava ser a unica amiga que eu poderia ter, me revoltei. Comecei a mentir, engordei, aderi ao meu estilo musical que sempre foi o rock também no meu vestuario, e até na escola demorei a me adaptar. Até encontrar a Gabi e a Mari que, eu acredito, foram anjos que Deus me mandou para me ajudar.

Minha quinta e sexta série foram os anos mais felizes, vendo o meu ambiente escolar! Eu gostava das pessoas e conseguia ser autêntica. Escrevia muito, e até um concurso na escola eu ganhei. Escrevi uma carta como se fosse uma baleia jubarte reclamando do descaso humano com os animais marinhos. Foi bem emocionante! No meio do ano de 2007 minha mãe descobriu que estava grávida! Depois de tanto tempo, uma menininha viria. Fiquei meio enciumada, minha carencia era um caos, só a Gabi e a Mari me fizeram enxergar a alegria que seria.

Mas em menos de dois anos morando lá, quando ia entrar na setima série as coisas tomaram novamente um rumo diferente e eu tive que ir pra outra escola, publica, lá mesmo. Longe e perto ao mesmo tempo das minhas amizades, passei apenas meio ano numa escola que para mim, era uma zona. Ai me mudei de novo, para Mauá, perto de Santo André, longe novamente de quem eu gostava.

O novo começo foi menos conturbado, mas não menos doloroso. Eu já estava mais crescida. Aquela rebeldia estava sumindo mas, minha personalidade ia tomando forma. Meu estilo musical continuou, minha motivação em escrever cresceu, meus sonhos foram tomando caminhos. Entrei no meio do ano em outra escola publica. Com um ensino ainda pior, foi quando meu coração me mostrou a chance de me testar: tinha que passar na Etec.

Lá fiz vários colegas, amigas, e uma melhor amiga. Fui muito feliz com ela, viajamos, segredos foram trocados, tantas lágrimas. Quando meus pais queriam se mudar de novo, foi ela quem me consolou. Me ouviu falar sobre o menino amado. Estava ao meu lado quando precisei desabafar: minha mãe estava grávida de novo. Entramos na oitava série mais do que unidas. Pena dizer que não saimos juntas.

No segundo semestre de 2009 entrei num cursinho preparatório, junto com ela, pra podermos passar. Lá, infelizmente, ela conheceu outras pessoas e acabamos nos afastando. Eu continuava ajudando em casa, estudando bastante e vivendo.

No meu aniversário de quinze anos foi tudo perfeito. Dancei com o menino amado, meu pai cantou uma musica perfeita pra mim e eu dancei muito. Foi tudo simples, em casa, mas tão gostoso! Dez dias depois o tal amor foi falar com meu pai e começamos a namorar firme.

Em janeiro meu irmão nasceu, eu descobri que passei na etec, e não tinha mais melhor amiga. Entrei na etec achando que nunca ia me encontrar, hoje converso com todos e tento ser o mais autêntica possivel.

Acho que por ajudar tanto e ser as vezes tão cobrada com os pequenos, desejo imensamente ser mãe! Aquele sonho de adolescente de casar não me agrada, mas o da maternidade... Outro sonho também é ter uma amiga. Sabe, uma amiga verdadeira por mais de dois anos. É um assunto tão delicado que me machuca comentar. Hoje sei que desejo ser uma editora de redação de algum jornal conceituado, ou de uma revista menos tosca que a "capricho". Sei que o meu futuro só depende dos meus esforços e sei que muitos vão fazer vista grossa pro que eu disser, mas tudo vai depender das minhas forças.

Hoje sou uma garota de quinze anos, sem melhor amiga, que tem um namorado muito bacana, pais que se orgulham de mim, irmãos que dão trabalho mas me alegram os dias, sonhos demais, melancolias de mais e palavras de mais. Mesmo que não pareça, uma autobiografia pequena demais para me descrever.

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