" Ai Deus, minha cabeça ta estourando. - ela rola pelo colchão, a luz da manhã arde nos olhos - Merda, amor, fecha essa merda.
Ele aparece de cueca e camiseta do mario na porta comendo algo melequento direto do pote, fecha as persianas e se ajoelha na cama pra observar a garota. - Gatinha,- ela abre um olho- tu ta um caco. Ela o agarra pela camiseta e puxa pra cama, ele se joga em cima dela. Aaaahn, sai de cima de mim que eu vou vomitar..
Duviiiido, vadia. Você já fez isso ontem. Ela olha por de baixo do lençol, levantando a sobrancelha. Duas vezes - ela se enterra no peito dele. O banheiro ta uma nojeira, melhora logo pra ir limpar. Ela morde a barriga dele. - Too brincando vadiaaa, eu já limpo. Bem feito, otária. Ficou de doce pra tomar o engov. Vai passar o dia todo de ressaca. Ela ronrona se enrolando no corpo dele. Amor? Oi. Faz suco de melão pra mim ? E onde é que eu vou arrumar um suco de melão, vadia ? Você comprou polpa na última despesa, otário.. Aé.. ele faz que vai levantar, ela impede. Ele olha a cabeleira bagunçada, a camiseta de banda velha, o bico de olhos fechados que ela faz. Que é, cachorra? Quero beijo. Eu não, você não escovou os dentes na segunda vomitada- ela abre a boca e dramatiza a cena. Ela o chuta por de cima do cobertor, ele foge rindo. Para na porta e observar a garota. Sua calcinha velha e azul, seus cabelos castanhos escuros, aquela camiseta suada, surrada e velha da banda favorita dela desde a década passada. O pé gordinho, as coxas que ele adora quando se entrelaçavam nas suas costas. Ela resmunga com a cabeça debaixo dos travesseiros. Cadê meu suco, Barbosa ? Ele mostra o dedo do meio pra bunda dela, sai chutando roupas e garrafas. A noite fora uma grande bagunça. Sorte que o insuportável do amigo certinho que não bebe dela levou todo mundo embora e eles puderam continuar numa festinha privada. Olhou pra mesinha de centro da minuscula sala e se lembrou dela dançando como aquele amigo que tinham no ensino médio e que se afastara depois do casamento. Perdeu. Quanta coisa mudou. Mas eles continuavam se amando, sendo dois escorpiões de presença na cama e fora dela. Olhou a bagunça de garrafas na pia. Sabia que ela piraria se visse tudo aquilo, mas era domingo de manhã, não havia como chamar a Sonia pra limpar aquela zona hoje. Ele suspira abrindo o saquinho da polpa, sobraria pra ele. Liga o liquidificador, começa a juntar a louça esparramada, ouve barulho de garrafas no corredor. A garota esta com uma mão na cabeça e a outra no pé sangrando.
Sua retardada, alguém mandou você se levantar ? Ele pega ela no colo e a leva de volta pra cama.
Vai se fuder, eu tava tentando escovar os dentes pra você me dar um beijo mas minha cabeça fez tudo girar ai.. ele passa a perna sobre ela, a beija sem delicadeza, enfia a língua a força por entre os dentes do seu amor e tira antes ela retribua: satisfeita, vadia ? você chupou todas as balas que achou pela casa, MESMO bêbada- sentou nos pés da cama e começou a tirar os caquinhos de vidro do pé da garota. E mesmo que tivesse vomitado um milhão de vezes, sua retardada, eu te beijaria. Talvez.
Ela riu e gemeu: que inferno, minha cabeça ta doendo.
Agora seu pé vai doer também, esperta.
Runf.
Silêncio.
Amor?
Que ?
E meu suco?
Já termino gatinha- ele suspira, procura o álcool, passa num paninho..
Ta louco? vai arder amor.. ele segura o pé dela com força. Foda-se, tem que desinfeccionar, foi um corte feio sua idiota. Ele vai até a caixa de remédios enquanto ela choraminga e reclama da crueldade. Pega um pedaço de gaze, enrola no calcanhar dela, fita, um beijo. suspira. Você é uma eterna criança sabia, Cath ?
Uma lágrima cai do olho dela, ele deita ao lado, lambe a lágrima, ela ri. Já vai passar gatinha, vou trazer um anador junto com seu suco. Ela morde o lábio e balança a cabeça, ele encara os olhos sem nada de especial, mas os seus olhos. Beija cada um deles, beija o nariz vermelho, beija a boca pequena. ela retribui com ardor. Se abraçam. Eu te amo Catharinne. Eu sei, nariz. Agora vai pegar meu suco.
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