domingo, 29 de abril de 2012


 Quanta falta faz.. Escrever sem nem pensar, num segundo rimar tudo, desde um sorriso a um olhar. Que saudade bate às vezes, do tempo em que eu ria de verdade e chorava de verdade, num instante de insanidade boa em que eu parava pra pensar em o quanto amo certas pessoas. Saudade gélida do abraço após uma discussão, de um telefonema de boa noite ou de um sorriso ao trocar segredos. Sinto falta de fofocar, tomar banho de chuva. De assistir um filme e ligar pra contar que é uma bosta. Eu passei a sentir não sentir mais falta de uma pessoa, mas da ocupação que ela tinha na minha vida.


Bom conselho.


Mesmo que sozinha sentada tomando meu chá gelado, num calor danado de calcinha e camisetão, eu vou ser feliz. Em algum apartamento apertado, onde até meu riso pelas piadas do Chaves incomodem o vizinho, eu vou ser feliz. Mesmo que todas as pilhas de textos, crônicas e reportagens meus não sejam aceitos em nenhum jornal, serei feliz. Com um chefe ranzinza, uma roupa justa de mais e um sapato desconfortável, eu vou ser feliz. Ouvindo meu cd preferido e lamentando que minha vida não tenha virado um filme; tudo bem, serei feliz. Vou comprar vinho caro e um livro clássico e ler pela octagéssima vez, e serei imensamente feliz. Vou receber uma ligação falsa de algum colega pedindo uma ajuda pra arranjar um emprego e eu? Bom, ser feliz. Vou passar por cachorros parecidos com os que já foram meus; lagrimejar, sorrir, ser feliz. Vou chorar de desgosto após o termino de namoro acompanhado pelo final feliz da novela, mas vou ser feliz. Eu vou tentar todos os dias, olhar e sentir tudo isso e mesmo assim, me desapegar e seguir um conselho bom... De ser feliz.