terça-feira, 10 de maio de 2011

Chorar às vezes limpa. Às vezes suja, às vezes cura, às vezes fere. Chorar às vezes acalma, às vezes desespera, às vezes conserva. Chorar as vezes cala, as vezes corrói, as vezes constrói, as vezes destrói. Chorar às vezes é um nada do vazio existencial de cada ser vivo. Cada ser que existe, cada ser que se faz inexistente. Chorar às vezes são só lágrimas, as vezes são palpáveis palavras, as vezes ensurdecedores silêncios. O choro é grito, é mito, um rito. Chorar é uma ação, uma reação, um mero não. E diante de tudo isso, não chorar é anti-humano.

E de um dia para o outro as coisas mudam. De um dia para o outro você não é mais a neta favorita nem ganha o maior pedaço de bolo. De um dia para o outro você não é mais a nerd da sala, não é mais a menina orgulho da família. De um dia para o outro você adoece internamente e permite que a tristeza faça moradia em seu peito. De um dia para o outro tudo fica escuro e ela não vê mais as covinhas naturais quando olha-se no espelho.



E a flor delicada que um dia fora se vai. E ela permite que tudo o mais se vá.