. Os dedos passam despercebidos sobre o teclado. Naquela ânsia de responder, os longos textos são escritos. Antes de mandar, lemos e nos saltam aos olhos frases que nos humilham, outras que nos fazem de arrogantes. Deletamos tudo aquilo. Como reescrever tanta coisa com palavras que tirem a dor, a raiva, o medo ou a insegurança?
. Toda narrativa começa atraves de um lugar, de um tempo e de um fato, fechando nossa introdução. Logo depois nos são apresentados os personagens, a causa do fato, desenrolando o principio do desenvolvimento, que procede com o modo como as coisas aconteceram. O desfecho, bem, o desfecho tem que ser surpreendente, intrigante, reconciliador ou consolador. O final tem que fazer valer a pena todo o tempo gasto naquele momento. A conclusão tem que ser radiante, não necessariamente feliz, mas emocionante.
. Não sabemos por onde começar, mas sempre previmos quando vai terminar. Temos uma forte tendencia a criticar atos alheios, e não nos olharmos no espelho. O sofrimento do outro sempre parece menor, o "eu passei por isso" sempre escapa dos lábios, mesmo quando detestamos quando terceiros nos dizem isso.
. Sinceramente, hoje estou sem criatividade para um desfecho inteligente e criativo, embora eu goste de todo o contexto do que já escrevi até agora. Mas pontos finais, concluções e um fim, não me é apetitoso. Tem gosto de fim de estrada, de término de namoro e o do anoitecer indesejado.
. O que faz de todos esse gostos menos ruins, é a perspectiva de que haverá outra estrada a frente, um novo namorado, e um outro amanhecer daqui a poucas horas. Um ciclo vicioso de qual todo texto deveria participar. Assim como todo coração juvenil.
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