sexta-feira, 17 de setembro de 2010

tosco.

 quero deixar bem claro antes de expor aqui como foram meus primeiros pensamentos sobre talheres&cia até agora. Não riam e nem me chamem de doida. Obrigada.


  Tudo começou cedo: desde muito novinha a colher rechonchuda, timida e sem graça, se apaixonou pelas pequenas facas. Eles mesmo sem suas pontas, já exibiam uma imponencia e masculinidade que encantava-a. Todos já adoravam se exibir e competir : "Eu não posso ser dado a crianças, sabia?". Eles desfilavam, ... alguns com cabos amarelados, não negando sua excencia de família humilde, outros, metidos a poderosos zanzavam com seus corpos prateados, iluminando os olhos da pequena colher.
 Ainda me lembro que, quando pequena, a colher era tão doce, gentil e inocente quanto as sobremessas que ela levava a boca. Se sentia mais util, mais util até mesmo do que os poucos garfos mirins, lindezas que se exibiam lembrando a ela o quanto ela era isolada e que nunca iria conquistar o coração de uma faca. Mesmo assim ela sustentava os olhares alheios e seguia.
 Na adolescencia, a colher foi criando mais usos, usos nem tão simpáticos como os de antes, mas igualmente cansativos. Ela via todos os seus conhecidos (as metidas "garfos" e os bonitões "facas") descansando e conversando em quanto ela sempre tinha problemas.. sempre tinha que ser lavada, secada e guardada para em seguida voltar a ser usada. Lembro-me das lágrimas que escorriam de sua face quando eu ainda era uma menina, secando os talheres na cozinha de casa.. aquilo me partia o coração. Eu não entendia! Por que ela era tão sozinha? Por que sempre tão tristonha? Foi só na fase adulta dela é que fui entender...
 Grande e com a mesma idade dos outros, a colher hoje está velha, gorda e torta. Hoje aquela que foi a pequena que levava o doce à boca, é oferecida apenas as crianças e idosos. Ela tenta se aproximar dos garfos, mas o papo daquelas lindas peças é tão inutil, tão sem criatividade e maturidade... Começaram a se desgastar agora e já reclamam, já dizem estarem sem brilho e cor... Já fazem um berreiro quando são lavadas... É, ela não consegue se encaixar.
 Quando tenta, finalmente, driblar a timidez para declamar seus sentimentos as facas, entreouve conversas em que eles zobam de suas curvas, riem de sua cara redonda e falam vugarmente do quanto os garfos são bons e combinam com eles nos pratos. Aquilo acaba com suas ultimas esperanças. Ela chora chora chora a noite inteira, até que aquelas lágrimas que não desgrudam do seu ser a fazem... enferrujar.
 E é assim que ela vai para o ferro-velho na manhã seguinte.




 sim, está mal escrita. Mas é dificil passar para os textos coisas que minha imaginação levou anos para organizar.
ps:  está patentiado ! ! !

Um comentário:

  1. e não quer que te chamem de doida?? =00
    Criatividade nas alturas, hein!?
    haushaushuahsuah'

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